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Uso de estimulantes e desempenho na medicina

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Júlia Moreira Bodo, estudante do 6º Período do curso de Medicina da FACISB, orientada pela profª Bárbara Sgavioli Massucato
Júlia Moreira Bodo, estudante do 6º Período do curso de Medicina da FACISB, orientada pela profª Bárbara Sgavioli Massucato

O consumo de substâncias estimulantes por estudantes de medicina tem crescido sob a influência de uma busca por “superprodutividade”, frequentemente idealizada e difundida pelas redes sociais. Esse fenômeno abrange desde o uso comum de cafeína e energéticos até o uso sem indicação de medicamentos para tratamento de algumas condições de saúde mental, como TDAH. Muitas vezes, essas substâncias são utilizadas sem indicação médica e sem a devida consideração de reações indesejadas em face dos benefícios esperados, como o aumento do foco e da memória.

Entretanto, não há estudos suficientes que sustentem a melhora cognitiva desse uso em indivíduos saudáveis. Um estudo publicado na revista Clinical and Experimental Health Sciences, realizado com 585 estudantes de medicina, demonstrou que, embora 7,3% utilizassem estimulantes para melhorar o rendimento, não houve diferença significativa na média das notas ou no sucesso acadêmico percebido entre usuários e não usuários.

A exposição constante às redes sociais intensificou a pressão pré-existente no curso de medicina. A comercialização de “rotinas perfeitas”, em que há tempo para estudar quatro horas seguidas, treinar, meditar, se dedicar a projetos de pesquisa e fazer isso 100% do tempo, aumenta a comparação interpessoal e pode reforçar a sensação de insuficiência entre os estudantes. Esse cenário contribui diretamente para o desgaste acadêmico, principal fator desencadeante do uso de estimulantes, visto que o curso de medicina é descrito como um ambiente de produtividade implacável, marcado por volumes densos de conteúdo e avaliações constantes. Dessa forma, o estudante frequentemente se vê sem tempo ou recursos emocionais para desenvolver estratégias saudáveis de manejo do estresse.

Nesse sentido, a busca por essa produtividade inalcançável frequentemente mascara quadros graves de burnout e transtornos de ansiedade, os quais acabam negligenciados em busca de desempenho. Portanto, é fundamental que o ambiente acadêmico promova uma cultura em que a saúde mental seja compreendida como base para formação de um bom profissional, combatendo a perigosa ilusão de que o sucesso justifica o adoecimento. 

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