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Canetas emagrecedoras: os riscos da automedicação

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Maria Luiza De Bonis Lopes Estudante do 4. Período do curso de Medicina da FACISB, orientada por Vinicius Magalhães Rodrigues Silva.
Maria Luiza De Bonis Lopes Estudante do 4. Período do curso de Medicina da FACISB, orientada por Vinicius Magalhães Rodrigues Silva.

A descoberta do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), foi um grande avanço da medicina. Esse hormônio, produzido naturalmente após as refeições, demonstrou ser estimulador da produção de insulina. A partir desse conhecimento, foram desenvolvidas medicações capazes de imitar o GLP-1 naturalmente produzido no organismo, e em 2005, os análogos artificiais do GLP-1 modificaram o prognóstico do diabetes mellitus tipo 2 (DM II). Recentemente, essa proposta de tratamento foi ampliada pelo desenvolvimento dos análogos do GLP-1 em associação ao GIP (peptídeo insulinotrópico dependente de glicose), outro hormônio liberado após a alimentação, que participa do controle glicêmico ao estimular a  insulina. Apesar de serem propostos para tratamento do DM II, observou-se promoção da saciedade e retardo do esvaziamento gástrico, favorecendo a redução da ingestão alimentar e, consequentemente, o emagrecimento. Por essa razão, a associação desses hormônios ganhou destaque sobretudo no tratamento da obesidade, doença crônica que afeta até 40% da nossa população, segundo dados do Ministério da Saúde. Daí veio o apelido de “canetas emagrecedoras”. Paralelamente ao progresso científico, há um fenômeno sociocultural imediatista impulsionado pelas redes sociais as quais atuam como poderosos canais de publicidade que, ao transformarem o corpo humano em produto de constante exibição e julgamento estético, perpetuam soluções rápidas para atender a padrões de beleza. Estudos recentes apontam que cerca de 68% dos usuários iniciaram o uso das “canetas emagrecedoras” sob influência das redes sociais e 53% utilizam essas medicações sem prescrição médica. A alta demanda do mercado favoreceu a proliferação de falsificações, fórmulas manipuladas sem registro e contrabando sem procedência. Essa prática de uso indiscriminada, sem indicação médica e de forma recreativa pode anular os benefícios e expor as pessoas a riscos que vão de náuseas e vômitos persistentes, desidratação e constipação crônicas, irritabilidade e dificuldade para dormir, perda de massa muscular e queda de cabelo até complicações severas como sangramentos digestivos e pancreatite aguda. A ciência nos entregou uma ferramenta extraordinária para melhorar a qualidade de vida a milhões de pessoas que não pode ser banalizada, o medicamento não é uma mercadoria de consumo, exige critérios rígidos de indicação e respeito ao próprio corpo.

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