Barretos: a cidade da educação
Ex-prefeita Paula Lemos lembra que município tem história de protagonismo no setor

Entre os 645 municípios do Estado de São Paulo, Barretos tem uma história de protagonismo na educação pública. Uma trajetória construída ao longo de décadas, com investimentos, inovação, valorização dos profissionais e compromisso com a qualidade do ensino oferecido às nossas crianças e aos nossos jovens.
Fomos precursores na implantação do ensino fundamental de nove anos, durante a gestão do Dr. Uebe Rezeck, quando Graça Lemos esteve à frente da Secretaria Municipal de Educação. A partir de 1999, a educação passou a receber investimentos expressivos, em um trabalho que atravessou diferentes administrações e que precisa ser reconhecido e preservado.
Barretos sempre se preocupou com a qualidade do ensino em sua rede municipal. Investiu e continua investindo na formação de seus profissionais e construiu um quadro de diretores, supervisores, coordenadores pedagógicos, professores, cuidadores e auxiliares de cuidados diários comprometidos com o desenvolvimento integral dos alunos e com a construção de um futuro melhor.
Em 1999, na gestão de Uebe Rezeck, com Graça Lemos à frente da Educação, ocorreu a municipalização da Escola Giuseppe. Em 2003, foi inaugurada a Escola São Francisco. Eram iniciativas que refletiam um mesmo ideal: garantir a continuidade de uma educação pública de excelência.
Em 2005, Emanuel Carvalho assumiu a Prefeitura e deu continuidade aos investimentos na área, juntamente com seus secretários da Educação. Barretos esteve entre os primeiros municípios a assegurar aos professores um terço da jornada de trabalho para atividades extraclasse, como estudo, planejamento e preparação das aulas.
Guilherme também deixou sua contribuição, com a implantação de um importante plano de carreira para os profissionais da educação, fortalecendo a valorização daqueles que fazem a educação acontecer todos os dias.
Paula assumiu a Prefeitura em meio aos enormes desafios da pandemia de Covid-19 e da enchente que atingiu a cidade. Ainda assim, ampliou a oferta de vagas nos CEMEIs, construiu escola, implantou material didático da FTD na rede municipal, inclusive para crianças a partir dos dois anos, e criou premiações voltadas à alfabetização na idade certa, entre outras iniciativas.
Também merece destaque a aproximação com os estudantes, especialmente nos encontros com os jovens das escolas Giuseppe e São Francisco, por meio de atividades como o quiz, que estimulavam o conhecimento, a participação e o interesse pelos estudos.
Essa história demonstra que a educação de Barretos não foi construída por uma única gestão, mas pelo trabalho de diferentes administrações, profissionais e comunidades escolares que compreenderam o poder transformador da educação.
Agora, com a chegada de Odair à Prefeitura, preocupa-nos que uma rede municipal em trajetória de desenvolvimento e fortalecimento possa sofrer retrocessos em razão de decisões que não valorizem devidamente a capacidade construída pelo Município.
A informação sobre a estadualização das escolas Giuseppe e São Francisco, divulgada nesta semana, não pode ser recebida com naturalidade, tampouco sem um debate amplo e responsável com a comunidade escolar e com os profissionais envolvidos.
Ainda que o Estado defenda a responsabilidade pela oferta de determinadas etapas do ensino fundamental, isso não significa que Barretos deva abrir mão de sua rede municipal sem antes apresentar seus argumentos, demonstrar sua capacidade e buscar uma solução que preserve o melhor interesse dos estudantes.
Barretos tem profissionais de excelência, uma estrutura pedagógica consolidada e experiência acumulada para continuar oferecendo uma educação pública de qualidade. Nossos professores, coordenadores, supervisores, diretores e profissionais de apoio são preparados, comprometidos e conhecedores das necessidades dos nossos alunos. São eles que, diariamente, transformam políticas públicas em oportunidades reais de aprendizagem e desenvolvimento.
Nossa rede também vem avançando na inclusão, com profissionais que conhecem seus alunos, compreendem suas necessidades e trabalham para assegurar condições de aprendizagem e participação. Esse conhecimento e essa experiência precisam ser considerados em qualquer decisão sobre o futuro das nossas escolas.
Não se trata de negar a importância da parceria com o Estado, nem de rejeitar a cooperação entre os entes públicos. Pelo contrário: trata-se de defender o diálogo, a construção conjunta de soluções e o compartilhamento de ferramentas, tecnologias e práticas inovadoras que possam fortalecer ainda mais a educação.
O que não podemos aceitar é que a estadualização seja tratada como um caminho inevitável, sem que o Município tenha a oportunidade de demonstrar sua capacidade de gestão e de defender a permanência dessas escolas na rede municipal.
O Giuseppe e o São Francisco têm história, identidade e vínculos construídos com seus alunos, famílias e profissionais. Preservar essa trajetória exige responsabilidade, diálogo e respeito à comunidade escolar.
Barretos precisa sentar-se à mesa com o Governo do Estado, apresentar a força de sua rede municipal e demonstrar que possui profissionais qualificados e condições para continuar cuidando dessas escolas.
A educação pública não pode ser tratada apenas como uma questão administrativa. Ela envolve pessoas, vínculos, projetos de vida e o futuro de toda uma geração.
Barretos tem história na educação. Tem experiência. Tem estrutura. E, acima de tudo, tem profissionais competentes, comprometidos e preparados para oferecer o melhor aos seus alunos.
Defender o Giuseppe e o São Francisco é defender a educação de Barretos, valorizar nossos profissionais e acreditar na capacidade do Município de continuar fazendo a diferença na vida de nossas crianças e jovens.







