Museu do Ipiranga

Já se foram 4 anos desde que o Museu do Ipiranga foi reaberto ao público. E algo é certo: ele continua a surpreender. Como uma das maiores obras de restauração patrimonial do Brasil, envolvendo leis de incentivo à cultura e parceria privada, o prédio do Museu do Ipiranga é exemplo de beleza, acessibilidade e difusão cultural.
À primeira vista, no Parque do Ipiranga, o público já entende que, para além do acervo expográfico, o próprio prédio do museu é, por si, patrimônio e parte a ser apreciada. Construído como Edifício-Monumento em homenagem à Proclamação da Independência, pelo governo paulista, no final do século XIX, o prédio passou a ser sede do Museu Paulista e foi aberto ao público em 7 de setembro de 1895, conhecido como Museu do Ipiranga. Em sua inauguração, a famosa tela “Independência ou Morte”, pintada por Pedro Américo entre 1886 e 1888, foi exposta pela primeira vez.
Ocorre que nessa fase inicial de funcionamento da instituição, tendo como diretor o zoólogo alemão Hermann von Ihering, seu acervo e suas pesquisas eram mais voltados à História Natural. Já a partir de 1917, pensando nas comemorações do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, o museu passou a ser dirigido pelo historiador Affonso d’Escragnolle Taunay. Criador da Seção de História Nacional, Taunay foi o responsável por fazer com que o Museu do Ipiranga oferecesse uma narrativa mais centrada na história do Brasil, especialmente a paulista, gerando símbolos e discursos perpetuados por gerações nos livros escolares e acadêmicos de História.
Era, então, importante que a nova curadoria do Museu do Ipiranga, ao reabri-lo nas comemorações do bicentenário da Independência, em 2022, utilizasse o acervo para narrar a própria trajetória do museu, além da história nacional e paulista. E isso foi feito, muito bem-feito. Hoje, o Museu do Ipiranga, expondo apenas 1% de seu acervo, conseguiu contar a sua narrativa histórica do passado junto aos contrapontos das vozes que nele não apareciam. É por isso que a temática central do museu é “História para pensar o presente”. Hoje, a exposição é múltipla, colorida e uma ponte entre os tempos.







