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A ilusão da alta performance 

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Raíssa Forato Brigagão, estudante do 2º Período do curso de Medicina da FACISB, orientada pela profª Bárbara Sgavioli Massucato
Raíssa Forato Brigagão, estudante do 2º Período do curso de Medicina da FACISB, orientada pela profª Bárbara Sgavioli Massucato

Produtividade a qualquer custo se tornou um dos principais lemas do mercado de trabalho contemporâneo. A busca pelo máximo desempenho, marcada por metas cada vez mais exigentes e cobrança constante por alta performance, pode tornar a rotina do trabalhador exaustiva, levando muitos profissionais a ultrapassarem os limites do próprio corpo.

Na tentativa de sustentar esse ritmo, muitas pessoas acabam recorrendo a estratégias prejudiciais à saúde. Nesse contexto, destaca-se o uso da cocaína, substância psicoativa que, ao atuar sobre complexas áreas do cérebro, pode gerar uma ilusória sensação de energia, confiança e disposição. Entretanto, por trás dessa aparente vantagem, escondem-se graves consequências para a saúde física e mental. Seu consumo está associado a complicações cardiovasculares, especialmente arritmias, conforme revisão da American Heart Association (Dominic et al., 2022), além de ansiedade, irritabilidade, dependência química, prejuízos funcionais e potencial risco à vida.

A cocaína atua diretamente no sistema nervoso central, interferindo em circuitos relacionados à recompensa, motivação e prazer. Ao aumentar temporariamente a disponibilidade de dopamina entre os neurônios, produz uma sensação momentânea de euforia e energia. Contudo, a repetição do uso aumenta significativamente os riscos de tolerância e do desenvolvimento do transtorno por uso de substâncias, condição complexa que representa um importante desafio para a saúde pública.

Portanto, por parecer um caminho sedutor na busca por desempenho, a cocaína tem sido associada a um ilusório aumento da produtividade, especialmente em contextos de exaustão laboral. Para mudar essa realidade, é necessário reconhecer que jornadas extensas, pressão por desempenho e riscos psicossociais aumentam a vulnerabilidade ao uso de substâncias e que nenhum desempenho justifica uma vida consumida pela exaustão. Assim, promover saúde mental também envolve organizar o trabalho de forma menos extenuante, valorizar o descanso e buscar equilíbrio, para que o valor do ser não se perca na busca por resultados, mas seja preservado a cada passo rumo ao sucesso.

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